
A Medicina nuclear é uma especialidade médica que utiliza técnicas seguras e indolores para formar imagens do corpo e tratar doenças. Os exames de medicina nuclear freqüentemente podem detectar precocemente anormalidades na função ou estrutura de um órgão. Esta detecção precoce possibilita que algumas enfermidades sejam tratadas nos estágios iniciais, quando existe uma melhor chance de prognóstico bem sucedido e recuperação do paciente.
Os exames de medicina nuclear são seguros e indolores. Uma pequena quantidade de material radioativo é absorvida pelo corpo por via endovenosa, oral ou por inalação. Estas substâncias radioativas são ligadas a um produto farmacêutico especializado, formando um radiofármaco, o qual apresenta afinidade por determinados tecido. Por exemplo, os compostos a base de fosfato ligados ao tecnécio-99m são utilizados para fazer exames dos ossos porque são captados por eles e o MIBI é usado para fazer exames do coração porque se liga ao miocárdio.
A quantidade de material radioativo usado é medida especificamente para garantir os resultados mais precisos dos exames, limitando, ao mesmo tempo, a quantidade de exposição à radiação A radioatividade da maioria dos elementos empregados cai para a metade (tempo denominado de meia vida) em questão de horas ou dias e a radiação emitida é do tipo gama, similar aos raios X. O tempo de permanência dos materiais radioativos no corpo do paciente é ainda mais reduzido considerando-se que muitas vezes ocorre eliminação deste pela urina e fezes. Tomando como exemplo o tecnécio-99m, isótopo empregado para a marcação da maioria dos radiofármacos,verificamos que sua meia-vida é de apenas 6 horas e emite radiação gama. A dose de radiação dos procedimentos diagnósticos é, de forma geral, similar ou inferior à de outros métodos diagnósticos que empreguem raios X.
Os exames de medicina nuclear podem ser utilizados no estudo de várias patologias, detectando precocemente danos fisiológicos ao coração, restrição do fluxo sangüíneo ao cérebro, além do funcionamento de outros órgãos como a tireóide, rins, fígado e pulmões. Também têm aplicações terapêuticas valiosas, como o tratamento do hipertireoidismo e alívio da dor óssea provocada por alguns tipos de câncer.
O equipamento utilizado para detecção desta radiação no organismo é normalmente chamado de gama-câmara. Ela possui detectores especiais que captam a imagem dos materiais radioativos localizados dentro do corpo humano, fornecendo informações quanto à função e o metabolismo dos órgãos em estudo. Estas informações são obtidas sob forma de imagens digitais.
O serviço de Medicina Nuclear do Hospital do Coração do Brasil conta com duas gamacâmeras e estará realizando exames em caráter ambulatorial e de emergência em todas as áreas médicas, dando suporte aos pacientes que ingressem na nossa emergência cardiológica para realização de um esclarecimento diagnóstico imediato.
Trata-se de especialidade médica de diagnóstico por imagem que utiliza fármacos marcados com pequenas quantidades de material radioativo, para avaliar a função e anatomia do coração.
Este tipo de procedimento é indicado para pessoas com dor torácica não explicada ou que tenha surgido durante atividade física (também conhecida como angina), permitindo detecção de doença cardíaca precocemente.
Muitas vezes é realizado em pacientes assintomáticos com suspeita de obstrução coronária ou de forma preventiva para se fazer o diagnóstico precocemente.
Dentre todos os procedimentos em cardiologia nuclear o mais conhecido, e largamente realizado é a cintilografia de perfusão miocárdica, que possibilita ao médico analisar padrões de fluxo sangüíneo nas diferentes regiões do coração. Isto permite avaliar a presença e extensão de obstrução das artérias coronárias, suspeita ou conhecida. Além disto, também é possível avaliar e localizar infartos do miocárdio prévios, avaliar resultados de cirurgias cardíacas ou procedimentos não cirúrgicos como angioplastia que permitem a restauração do fluxo sangüíneo aos níveis normais para o coração.
Este procedimento pode ser solicitado pelo seu médico para avaliar se a terapia clínica empregada, ou seja com medicamentos, está sendo efetiva. Além disto, outros procedimentos diagnósticos solicitados podem trazer resultados não conclusivos o que indicam a necessidade do seu médico complementar a avaliação com a cintilografia.
Sim, há um preparo prévio a ser realizado, sendo que um jejum de 4 horas, ou uma alimentação leve 2 horas antes do inicio deve ser adotada. O restante do preparo será direcionado de acordo com o tipo de procedimento solicitado pelo seu médico que pode ser associado a estresse físico ou farmacológico. Caso o seu tipo de estresse seja o físico significa que você fará uma caminhada na esteira ergométrica por alguns minutos. No pedido médico deverá estar explicitado se há necessidade de suspensão de medicação habitual do paciente para a realização do procedimento.
O estresse farmacológico tem sido uma metodologia usada com freqüência cada vez maior. No Hospital do Coração do Brasil (HCBr) temos realizado este procedimento associado ao dipiridamol ou à dobutamina.
Ao optar pelo dipiridamol é necessário que se suspenda por 36 horas o uso de cafeína (café, refrigerantes, chás e chocolate), além de medicações broncodilatadoras como teofilina, aminofilina, pois estas substâncias podem neutralizar o medicamento empregado. No caso de dobutamina suspende-se, a critério médico, medicações que retardam a aceleração cardíaca (beta-bloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio).
Caso este seja o estresse escolhido pelo seu médico, o medicamento será administrado intravenosamente, de acordo com o seu peso, para propiciar maior dilatação das artérias do coração. Com este tipo de estresse o seu coração vai trabalhar tanto quanto você estivesse caminhando na esteira.
O paciente não deve vir com roupa que contenham botões de metal na região do tórax, meias calças e sutiã com armação de metal. Às mulheres: vir com o mesmo sutiã nos dois dias em que se realizam as cintilografias miocárdicas de repouso, esforço ou sob stress farmacológico.
O procedimento é realizado em duas etapas diferentes que chamamos de repouso e esforço, e que podem ser adaptadas para um protocolo em que o exame possa ser realizado em um único dia, geralmente o período de uma manhã ou de uma tarde, ou em dias diferentes. Esta variação de protocolos pretende atender à urgência com que o médico busque a obtenção de informação específica, mas também adequar à rotina dos pacientes. Na nossa instituição temos adotado preferencialmente o protocolo de um dia, mas podemos também realizar o protocolo em dias diferentes, também conhecido como de dois dias, dependendo da solicitação ou preferência do paciente. Ao chegar ao nosso setor você terá uma veia do braço puncionada para melhor permitir a administração do radiofármaco tanto na fase de repouso quanto na fase de esforço. Após o radiofármaco ter sido administrado você aguardará cerca de 60 minutos quando será conduzido à sala de exames para obtenção das primeiras imagens. Ao término desta etapa você será encaminhado, pelo enfermeiro, à sala de ergometria onde será submetido ao estresse físico ou farmacológico.
Neste período a atividade elétrica do seu coração, medidas de pressão arterial, freqüência cardíaca e sintomas, como dor no peito, serão registrados. No momento de esforço máximo o radiofármaco é administrado novamente, na veia previamente puncionada. Neste momento, você será solicitado a manter o mesmo ritmo de caminhada por pelo menos mais um minuto. Isto é importante por que permite a análise de possíveis mudanças nos padrões de fluxo coronário, ou seja avaliar regiões do seu coração que não estão recebendo sangue adequadamente. É importante reforçar que, tanto na fase de repouso quanto na fase pós esforço, você será solicitado a deitar em uma maca especial, localizada na sala de exames, para este tipo de procedimento. Nesta sala, uma câmera posicionada sobre o seu tórax irá fazer um movimento de rotação sobre ele para a obtenção de imagens especiais que duram cerca de 20 minutos, cada fase. Você poderá respirar normalmente, no entanto é muito importante que permaneça imóvel. Durante este período você não receberá nenhuma radiação do equipamento e não terá nenhum desconforto provocado pelo exame.
Todas as pessoas que estejam impossibilitadas de caminhar em esteira ergométrica devido a problemas ortopédicos, doenças neurológicas, transtornos psiquiátricos, portadores de marca-passo, arritmias ou bloqueio de ramo esquerdo.
Todos os pacientes que sejam capazes de caminhar ativamente em esteira ergométrica. Este procedimento é importante por que propicia ao médico avaliar o grau de tolerância ao exercício, arritmias e sintomas induzidos pelo esforço.
Sim. É possível que você venha a apresentar alguns efeitos colaterais como dor de cabeça, dor torácica, náuseas, vômitos ou tonteira. No entanto, estes sintomas cedem rapidamente com uso de um antídoto, já preparado para ser usado na veia, sempre que se fizer necessário.
Este procedimento dura cerca de 4 a 5 horas, o que significa que a sua permanência conosco durará uma manhã ou uma tarde.
O procedimento é realizado por um médico cardiologista com treinamento especializado em Medicina Nuclear.
A interpretação do exame pode demorar 24-72 horas, e as informações relacionadas ao exame lhe serão repassadas pelo médico que solicitou o exame.
Após o exame ter sido concluído a maioria das pessoas retorna normalmente às atividades rotineiras.
A radioatividade no seu corpo vai diminuir gradativamente, devido ao processo natural de decaimento radioativo. Além disso, uma quantidade importante de radiação é eliminada na urina e nas fezes. O que significa que após 24 horas, haverá apenas traços do composto radioativo no seu corpo. É importante enfatizar que os exames de medicina nuclear se caracterizam por serem inócuos e não trazerem riscos ao paciente. A maioria dos procedimentos emprega a administração de um composto radioativo que não provoca reação adversa ou colateral, não induz alergia ou desconforto nem provoca sonolência. Além disso, a exposição à radiação é mínima sendo um procedimento seguro inclusive para crianças pequenas.
Dr. Heleno Rayol dos Reis
Dr. Marne Medeiros Junior
Dr. Sebastião Lolo de Lacerda Filho