
O “Tilt-table test”, conhecido também como “Teste de inclinação” ou “Tilt-test”, é um exame complementar utilizado, principalmente, na investigação dos quadros de desmaio (síncope) ou tonturas, principalmente, a de causa inexplicada e a vasovagal.
Nas pessoas com tendência a apresentar desmaios com mudança de posição o exame provocaria alterações na pressão arterial e/ou na freqüência cardíaca que levariam a redução do fluxo sanguíneo cerebral, com possibilidade de ocasionar perda da consciência.
O exame é realizado com o cliente deitado em uma maca que inclina até 70°. Antes do início do exame são colocados 10 eletrodos distribuídos no tronco para monitorização eletrocardiográfica contínua durante o exame, semelhante aos do teste de esforço (Teste Ergométrico). O(a) cliente deitará na mesa de exame inclinável, será ligada a monitorização eletrocardiográfica e a monitorização de pressão arterial no braço direito ou esquerdo (Fig.1). Após uma fase sem inclinação, a mesa onde o cliente encontra-se deitado, será inclinada a 70° sendo observado e registrado o eletrocardiograma, a pressão arterial e os sintomas relatados (Fig.2). Se o resultado desta última fase, com inclinação, foi normal , pode ser necessário o uso de medicação vasodilatadora sublingual ( um comprimido será usado debaixo da língua). Isto é realizado para aumentar a sensibilidade do exame em reproduzir os sintomas no paciente portador da Síndrome Vasovagal. Nesta fase observaremos novamente se ocorrerá mudança da pressão arterial, da freqüência cardíaca e dos sintomas.
Essa é uma dúvida freqüente dos pacientes, sendo comum o medo em relação ao exame relacionado a isto. O paciente não gira preso à maca durante o exame e também não fica na posição de cabeça para baixo. São apenas 3 as posições durante o exame:
0º de inclinação (Fig.1) = paciente no início do exame, deitado horizontalmente (início do exame)
70º de inclinação (Fig.2) = paciente na posição de pé com ligeira inclinação da maca (exame propriamente dito)
-30º de inclinação = paciente com a cabeça um pouco mais baixa em relação ao corpo (final do exame, nos casos de síncope)
No caso de pacientes acima de 60 anos em que é realizado no momento do tilt test a manobra de massagem carotídea (uma compressão na região do pescoço para avaliar a queda da freqüência cardíaca ou da pressão) é indicado realizar um exame de doppler de carótidas para identificar placas de gorduras nas artérias. Caso este exame não tenha sido feito esta manobra poderá ser omitida do tilt test.
O exame pode durar até 50 minutos quando os parâmetros observados permanecem estáveis. Poderá ter uma duração menor quando o paciente apresenta alteração importante da pressão arterial e/ou do eletrocardiograma, quando refere desconforto e solicita a interrupção do exame e quando apresentar síncope.
Como o tilt-test é realizado, principalmente, para investigar os quadros de síncopes, esta é uma ocorrência esperada. Palpitação, turvação visual, náusea, sensação de fraqueza e cefaléia também podem acontecer. A cefaléia é mais comum quando foi usada a medicação vasodilatadora sublingual. Estas alterações não trazem nenhum transtorno maior, pois seu exame é realizado em um ambiente controlado com monitorização do seu eletrocardiograma e da pressão arterial, de maneira contínua, acompanhada pelo médico cardiologista especialista juntamente com a enfermagem.
O tilt-test é um exame seguro, não tendo sido relatados na literatura médica complicações graves decorrentes do exame. Caso ocorra a síncope o risco de trauma é praticamente inexistente devido o (a) paciente estar com cintos que o suportam na maca de exame. Em alguns pacientes a causa da síncope pode ser devida uma arritmia. Neste caso o coração pode bater lentamente ou bater muito rápido. Em ambas as situações a equipe médica interromperá o exame ao perceber qualquer anormalidade no eletrocardiograma e normalmente essas alterações cessam com o retorno da maca à posição inicial.
A principal indicação do exame é para avaliar os pacientes que apresentam síncope ou perda da consciência, principalmente, as de origem vasovagal e as de causa inexplicada. Pode ser utilizada também para avaliar quadros de tonturas, turvação visual e sensação de desmaio após ficar em pé.
A síndrome vasovagal é um distúrbio geralmente diagnosticado e tratado pelo cardiologista, que afeta a regulação da pressão arterial e/ou frequência cardíaca dos pacientes portadores, gerando uma queda súbita da pressão arterial e/ou da frequência cardíaca, que ocorrem desencadeadas por mudanças de posição e ao permanecer períodos longos de pé.
Seguir todas as orientações que foram informadas no dia que você marcou o exame, principalmente, estar em jejum de 4 horas. Venha acompanhado, pois caso tenha ocorrido síncope durante o exame, apesar de infrequente é possível acontecer nova síncope durante direção de veículos ou enquanto estiver sozinho.
O exame será remarcado em raras situações, entre elas, presença de algum processo infeccioso debilitante (gripe, pneumonia, diarréia), hipotensão (pressão arterial baixa) e ingestão de alimentos nas últimas 4 horas.
A interrupção ou manutenção da medicação caberá ao médico que solicitou o exame. É importante relatar à equipe médica toda medicação em uso e se você tem algum tipo de alergia medicamentosa. Os homens que usam medicação para disfunção eréctil (Levitra ®, Viagra ®, etc) devem suspender seu uso 48 horas antes e após o tilt-test devido o risco de interação com o vasodilatador usado no exame.
O resultado ficará pronto em até 48 horas, mas geralmente é entregue imediatamente após o término do exame. Nele constará como foi realizado o exame, as medidas das pressões arteriais, trechos importantes do eletrocardiograma, sintomas relatados pelo(a) paciente, gráfico de pressão arterial e frequência cardíaca e a conclusão.
O tratamento será orientado pelo médico que solicitou o exame após analisar o seu quadro clínico e resultados dos demais exames solicitados.
Ingira bastante líquido (água e suco) e faça uma refeição leve. Caso ocorra cefaléia, reação comum ao vasodilatador, ingira um analgésico comum (dipirona, paracetamol) habitual, usado por você.
Dr. Anselmo Mota