O que é angioplastia coronária e implante de stent?
Também denominados como Intervenção Coronária Percutânea, são procedimentos não cirúrgicos realizados através de um cateterismo cardíaco para tratamento de obstruções das artérias coronárias decorrentes de placas ateroscleróticas ou trombos. Esta obstrução pode ser parcial ou total e dificulta ou impede a passagem do sangue para o músculo do coração.
É um tratamento que desobstrui estas artérias que nutrem o coração, promovendo melhora dos sintomas e reduzindo a incidência de infarto e óbito.
Quando é indicado o tratamento com angioplastia e/ou stent?
Ela está indicada em artérias coronárias com obstruções maiores que 70% ou em obstruções maiores que 50% com sinais de isquemia miocárdica (falta de sangue no músculo do coração) demonstradas por exames funcionais como teste ergométrico, cintilografia de perfusão miocárdica ou ecocardiografia de estresse.
Desde quando existe este tipo de tratamento?
Desde 1977 a Angioplastia Coronária foi introduzida como um método viável e útil para tratamento das obstruções coronárias.
Aproximadamente 15 anos mais tarde, em 1993 os Stents começaram a ser utilizados para melhorar os resultados que eram obtidos com a Angioplastia isolada.
Em abril de 2003 o FDA (Food and Drug Administration) aprovou o uso do primeiro stent revestido com uma droga chamada Sirolimus (ou Rapamicina). É o Stent Cypher.
Em março de 2004 um segundo stent revestido foi aprovado. É o Stent Taxus, com uma droga chamada Paclitaxel.
Em outubro de 2005 o terceiro stent foi liberado. É o Stent Endeavor, revestido com Zotarolimus.
Atualmente, outros tem sido comercializados.
Onde é realizada?
É realizada na mesma sala do cateterismo cardíaco (Laboratório de Cardiologia Intervencionista) de maneira semelhante ao que já foi descrito e utilizando o mesmo equipamento.
Quem realiza a angioplastia e o implante de stent?
Os médicos que fazem o procedimento são chamados de Cardiologistas Intervencionistas, ou seja, médicos cardiologistas especializados em tratar doenças cardíacas através de uma técnica minimamente invasiva utilizando cateteres introduzidos em uma veia ou artéria.
É realizada por dois Cardiologistas Intervencionistas. Uma equipe de cirurgiões cardíacos estará de retaguarda devido ao pequeno risco de complicações que poderia necessitar de cirurgia de emergência.
Estará à disposição um leito de UTI para os casos mais graves.
O que é stent e como é realizado seu implante?
Após sedação leve e anestesia local, realizamos um cateterismo cardíaco e, com injeção de contraste radiológico, conseguimos identificar com precisão o calibre da coronária, o local, a intensidade e a extensão da obstrução .
O paciente estará com um soro na veia, o tempo todo, garantindo um acesso para usar as medicações necessárias. Receberá um anticoagulante (Heparina) para evitar formação de coágulo na circulação e vasodilatadores para dilatar as coronárias e evitar espasmos contrações).
Com o cateter posicionado dentro da coronária a ser dilatada, introduzimos um fio-guia bastante flexível e fino que será avançado até ultrapassar a obstrução (fig 1 ) . Este servirá para progredirmos um balão de dimensão adequada para o calibre da coronária a ser tratada . Uma vez posicionado exatamente ao nível da obstrução, com o auxílio de uma seringa específica, conseguimos insuflar o balão com uma pressão constante e mantida por segundos ou minutos. Consequentemente provocamos um trauma mecânico na placa aterosclerótica obstrutiva promovendo uma fratura e compressão contra a parede da coronária. Isto é o que denominamos de Angioplastia Coronária. Dessa maneira obtemos um alargamento da parte interna da artéria permitindo um aumento do fluxo de sangue através deste vaso.
A seguir removemos o balão mantendo o fio-guia inicialmente usado para ultrapassar a obstrução. Em torno de 90% dos casos finalizamos o procedimento realizando o implante de Stent coronário imediatamente após a Angioplastia.
Stent é uma tela de metal bastante delicada, montada sobre um balão desinflado e nele aderido. Desta forma é possível progredí-lo através do cateter e sobre o fio-guia ainda posicionado na coronária (fig 2). Este fio vai possibilitar novamente avançarmos o balão, desta vez levando o stent para que depois de posicionado no local desejado, espandirmos o balão e consequentemente o stent (fig 3). Ao desinsuflarmos o balão liberamos o stent promovendo uma sustentação da parede da coronária e um calibre ainda maior que aquele obtido somente com a Angioplastia (fig 4). Este Stent permanecerá imóvel, sustentando a parede da coronária aberta e nunca será retirado (fig 5). Com o tempo, o endotélio (pele que cobre a coronária na parte interna) irá recobri-lo, tornando-o parte da parede da artéria.
Em alguns casos selecionados evitamos o implante do stent e encerramos o procedimento após um bom resultado somente com a angioplastia. Em outros evitamos a angioplastia inicial e implantamos o stent diretamente na lesão obstrutiva. Às vezes introduzimos ainda um segundo balão dentro do stent após a liberação, provocando uma expansão ainda maior deste e uma maior justaposição dele com a parede interna da artéria.
Com novas injeções de contraste dentro da coronária tratada, conferimos se a artéria está adequadamente aberta e se permite um fluxo adequado de sangue para as porções distais, além da obstrução. Só aí então recolhemos o fio guia, retiramos o cateter e encerramos o procedimento.
O que devo fazer para estar preparado para o procedimento?
O paciente deverá seguir as mesmas orientações do cateterismo cardíaco.
Poucos cuidados além destes serão necessários. Antes do procedimento obteremos um eletrocardiograma e uma amostra de sangue para alguns exames. Isto será importante para fazermos uma comparação dos mesmos com uma ou mais amostras realizadas no mesmo dia e/ou no dia seguinte.
Diferentemente do cateterismo, aqui é fundamental que o uso ,por pelo menos 3 dias , de medicação com efeito anti-agregante plaquetário como o Acido-acetil-salicilico (AAS, Somalgin , Bufferin, Aspirina, etc) , Ticlopidina ( Ticlid ) e Clopidogrel (Iscover, Plavix, etc.) cuja ação é evitar formação de coágulos.
Interromper o uso de Sildenafil (Viagra) ou Tadalafila (Cialis) 24 horas antes do procedimento. Episódio grave de pressão baixa pode ocorrer devido à associação desta droga com o vasodilatador coronário (nitrato) que utilizamos nestes procedimentos.
Qual a duração do procedimento?
O tempo está relacionado com o número de obstruções a ser dilatadas, com a complexidade anatômica das obstruções e com a dificuldade técnica de cada caso.
Nosso objetivo sempre é alcançar o melhor resultado possível. A menor ou maior duração do procedimento não está necessariamente associada a um resultado melhor ou pior.
Geralmente concluímos o tratamento num tempo que varia de 30 minutos a 2 horas.
Quando a angioplastia e o stent é considerado um procedimento de sucesso?
Quando utilizado apenas a angioplastia com balão é considerado sucesso os casos em que houve redução da obstrução para menos que 50% com um fluxo sanguíneo adequado no leito distal da artéria dilatada.
Quando usamos os stents a redução da estenose deve ser inferior a 20% também com fluxo sanguíneo adequado.
A evolução durante a internação deve ser livre de infarto, cirurgia ou de nova angioplastia.
Não seria melhor se fosse realizado com anestesia geral?
Com certeza não. Uma anestesia geral tem seus riscos e em nada ajudaria no procedimento.
Realizamos apenas uma sedação leve de maneira que você permanecerá indiferente ao que ocorre, mas participando do exame.
Você responderá quando solicitarmos sua colaboração. Será capaz de seguir nossas orientações em manter uma posição ideal na mesa de exame, de respirar profundamente ou suavemente, de tossir quando necessário e de nos informar sobre qualquer sintoma, especialmente dor no peito.
É importante para nós, que você seja capaz de informar como está se sentindo durante o procedimento.
Posso ter um acompanhante comigo durante a realização do procedimento?
Não será permitida a presença de acompanhante dentro da sala do Laboratório a não ser que este seja médico ou enfermeiro.
Procuramos manter apenas as pessoas necessárias para a realização do procedimento, na tentativa de reduzir as possibilidades de contaminação local.
Os familiares e amigos permanecerão em uma sala de estar próxima ao local do tratamento.
O que vou sentir durante a angioplastia e o implante do stent?
Na grande maioria dos casos os sintomas são os mesmos de um simples cateterismo cardíaco. Poderá sentir um desconforto ou dor discreta em algum dos seguintes locais: no peito, ombro, braços, mandíbula ou nas costas. Isto é facilmente tolerável, de curta duração e corresponde ao momento da oclusão da coronária realizada pela insuflação do balão. Após segundos do balão desinflado a dor desaparecerá rapidamente.
Geralmente esta dor é parecida com a sua angina, se ela existia antes do tratamento.
É necessário repouso após o procedimento?
Sim.
Diferentemente do cateterismo, se o procedimento for realizado por punção (furo) na região inguinal (virilha) o introdutor não poderá ser retirado e deverá permanecer no local em torno de 4 horas. Introdutor é um tubo de 2 mm de diâmetro, inserido na artéria, e usado para manter um caminho que facilita a introdução do cateter.
Sua posição no leito será em decúbito dorsal (barriga para cima) com a perna relaxada, estendida e evitando movimentos amplos. No momento ideal, definido pelo Cardiologista que realizou o procedimento, o introdutor será removido. A seguir, será feita uma compressão manual local durante 20-30 minutos até não ocorrer mais sangramento. Um curativo compressivo será realizado para assegurar que não haja hemorragia.
Após 2h será permitido, com a ajuda da enfermagem, mudar de posição e flexionar discretamente a perna do mesmo lado do curativo. Poderá elevar a cabeceira para as refeições.
Após 12h poderá deambular naturalmente. Antes disso não recomendamos utilizar o banheiro devendo solicitar à enfermagem o utensílio adequado para a sua necessidade.
Após 24h seu curativo será retirado e trocado por outro muito discreto e sem compressão. A partir daí o melhor é evitar o leito e fazer caminhadas nos corredores do Hospital. Logo você estará pronto para receber alta.
Embora seja improvável que sangramento ou hematoma ocorra após este curativo, algumas situações como movimentos bruscos sem auxílio, tosse e espirros freqüentes poderão favorecer este inconveniente. Você terá a sensação de um líquido morno neste local que corresponde ao sangue extravasado do curativo. Permaneça deitado e solicite a presença da enfermeira que providenciará nova compressão local e outro curativo.
Todos esses cuidados são importantes porque o anticoagulante usado durante o procedimento aumenta os riscos de sangramento.
Quando realizamos o procedimento por punção no punho o introdutor será retirado imediatamente após, seguido de um curativo compressivo. O risco de sangramento é menor e o repouso no leito se faz necessário por apenas 2 horas e devido à sedação leve que foi utilizada.
Como a medicação que foi usada durante o procedimento poderá provocar tontura com a mudança de posição, peça a ajuda da enfermagem quando for sair da cama a primeira vez.
Tenho que ficar internado no hospital?
Sim. Geralmente durante 24 à 48h e muitas vezes não necessitamos que seja na UTI. Você poderá em situações favoráveis permanecer no apartamento com o seu acompanhante.
Após o tratamento, é esperado algum desconforto?
O curativo compressivo poderá trazer algum desconforto local principalmente quando utilizamos a região da virilha. O esparadrapo, mesmo o mais delicado, traumatiza a pele e pode dar a sensação de ardência local, especialmente para quem tem a pele bastante delicada ou é alérgico a ele.
O paciente terá vontade de urinar várias vezes. Isto é provocado pelo contraste usado no exame que estimula a diurese e pelo soro que é oferecido na veia durante todo o procedimento.
É obrigatório que seja feito no leito usando o utensílio adequado (veja em é necessário repouso no leito).
Cefaléia é uma queixa freqüente. A medicação usada para dilatar as coronárias provoca este sintoma. Geralmente se mantém por horas, mas é aliviada com analgésico.
Manter a mesma posição no leito pode provocar dor nas costas. Se o introdutor ainda não foi retirado usaremos analgésicos e sedativos.
Você deve aliviar a tensão da sua musculatura mantendo seu corpo relaxado.
Se o introdutor já foi retirado procuramos qual é a melhor posição para sentir-se mais confortável. É permitido inclinar-se lateralmente para a direita ou esquerda mantendo um suporte nas costas. A perna do outro lado poderá ser flexionada. Um travesseiro pode ser usado ou a cabeceira da cama elevada em até 45 graus. Mantenha seus braços à vontade. Não faça movimentos apenas com o seu esforço. Peça ajuda da enfermagem. Se mesmo assim o Sr.(a) encontra-se incomodado, poderá receber medicação analgésica e sedativa.
Raramente ocorre uma sensação de desconforto no peito imediatamente após o procedimento e que será atenuado ou abolido 1 ou 2h após o procedimento. Se a dor retorna ou intensifica-se a enfermagem deverá ser chamada rapidamente. O cardiologista será comunicado e fará uma avaliação para descartar qualquer problema com a artéria dilatada.
Às vezes a retirada do introdutor da virilha pode causar tontura, palidez, mal estar, sudorese fria e náuseas. Isto geralmente é provocado pela dor local da compressão. Por isto, antes da retirada iniciamos analgesia com medicação na veia e prevenimos qualquer sintoma.
Sangramento ou hematoma local após o curativo podem ocorrer. Procuramos evitá-los seguindo as orientações anteriormente comentadas na pergunta: “É necessário repouso após o procedimento?”.
Quais são os riscos?
O sucesso do procedimento é conseguido em torno de 96% a 99% dos casos selecionados. Em torno de 1 a 4% dos casos não obtemos sucesso no procedimento pela impossibilidade de ultrapassar a obstrução pelo guia, pela dificuldade de progredir o balão ou o stent através da obstrução ou pela incapacidade do balão insuflador desfazer a obstrução. Isto pode ocorrer quando encontramos coronárias totalmente ocluídas, finas, calcificadas e com importantes tortuosidades. Estas situações levam a dificuldades técnicas que impossibilitam a realização do procedimento.
A angioplastia e implante de stent têm riscos maiores que o do Cateterismo Cardíaco porque é um procedimento mais complexo.
Os riscos de complicações são menores que 2% e decorrentes de oclusão arterial causada pelo trauma mecânico na coronária provocado pelo cateter, pelo fio guia, pelo balão ou pelo stent. Conseqüentemente podemos ter 1 a 2% de infarto e menos de 0,5% de risco de óbito e necessidade de cirurgia de emergência.
Vou ter que receber sangue?
Alguns procedimentos podem promover uma perda sanguínea maior, mas raramente será necessário receber sangue.
Quando a angioplastia e o stent é considerado um procedimento de sucesso?
Quando utilizado apenas a angioplastia com balão é considerado sucesso os casos em que houve redução da obstrução para menos que 50% com um fluxo sanguíneo adequado no leito distal da artéria dilatada.
Quando usamos os stents a redução da estenose deve ser inferior a 20% também com fluxo sanguíneo adequado.
A evolução durante a internação deve ser livre de infarto, cirurgia ou de nova angioplastia.
Quais os cuidados que devo ter após a alta?
Deverá retornar ao seu cardiologista do consultório na primeira semana após a alta, levando consigo o relatório médico do procedimento realizado.
É fundamental manter o uso da medicação orientada no momento da alta hospitalar até quando o seu Cardiologista fará uma nova avaliação. Não pare de usar a medicação anti-agregante plaquetária (AAS, Ticlid, Iscover, Plavix etc). Se houver intolerância procurar orientação médica no mesmo dia.
Suas atividades intelectuais habituais, consideradas não estressantes na sua avaliação, poderão ser retomadas logo após a alta conforme sua conveniência.
Em geral, as atividades físicas habituais como caminhar naturalmente e dirigir não necessitam ser evitadas. Atividades físicas intensas competitivas iniciar somente após um mês.
Observar o local da punção (no punho ou virilha) se não existe algum processo inflamatório (dor, rubor, calor e secreção) ou aumento de volume local, que previamente não existia. Às vezes o antiagregante favorece o extravasamento de sangue que permanece aprisionado debaixo da pele. Nestes casos é conveniente procurar a equipe médica, que realizou o seu tratamento, para reavaliação.
A qualquer sinal de dor no peito com a menor suspeita de que possa ser do coração, dirija-se ao Pronto Socorro do nosso Hospital para uma avaliação cardiológica, levando o relatório da angioplastia. Existe uma pequena possibilidade de infarto (menos de 1%), principalmente nos primeiros 06 meses.
Existe algum risco de complicações se parar de usar as medicações orientadas após a alta?
Aspirina (AAS, Somalgin, Buferin etc) deve ser mantida indefinidamente. A associação do AAS e Clopidogrel (Plavix, Iscover, etc ) não deverá ser interrompida de forma alguma, por pelo menos um ano. Nenhum médico está autorizado a suspender esta medicação antes deste período , a não ser em extremo risco de vida, como ocorre em sangramentos graves por trauma , sangramento cerebral ou cirurgia vascular de emergência. A suspenção desta medicação aumenta consideravelmente o risco de formar coágulo ao nível do stent e provocar Infarto com conseqüências catastróficas.
O que devo fazer para manter o bom resultado da angioplastia e do stent ?
acompanhamento cardiológico em longo prazo junto ao seu cardiologista do consultório é fundamental. Ele é quem fará a sua avaliação clínica periódica e quem solicitará os exames necessários para comprovar se as coronárias continuam sem obstrução.
-Pare de Fumar
-Mantenha seu peso ideal
-Siga as orientações dietéticas
-Reduza os níveis de colesterol
-Pratique atividades físicas regulares
-Controle a Diabete e a Hipertensão Arterial
Mesmo com todos estes cuidados, algumas vezes o bom resultado não se mantém. Essa resposta inadequada e de causa desconhecida, é uma característica da doença aterosclerótica em determinados pacientes.
Depois que a angioplastia e o stent coronário foram realizados com sucesso, posso dizer que estou curado?
Não.
Ela não cura a doença aterosclerótica coronária obstrutiva mas simplesmente controla as obstruções restaurando o fluxo sanguíneo normal e irrigando adequadamente o miocárdio (músculo do coração).
Principalmente nos primeiros 06 meses, a obstrução tratada com angioplastia ou stent poderá retornar naquele mesmo local. É o que chamamos de Reestenose. Ela é diferente da aterosclerose (placa de gordura) e representa uma cicatriz que cresce na parede interna da artéria prejudicando a passagem do sangue.
Também é possível haver progressão da doença coronariana, representada pelo surgimento de novas obstruções ou pelo agravamento de uma obstrução discreta, já existente.
Porque usar os stents?
Depois de exaustivamente testados na última década, os Stents tornaram-se a opção terapêutica preferencial para revascularização percutânea, sendo utilizados no mundo todo em percentuais superiores a 90% dos casos tratados por cateter. Este fato se deve a duas importantes razões:
1°- Os Stents proporcionam um resultado mais previsível e satisfatório. Eles reduzem o risco da artéria ocluir abruptamente durante o procedimento. Isto significa que ele reduz a possibilidade de que a coronária tratada volte a obstruir totalmente nas primeiras 24 horas, o que ocorre em 5 a 10% dos casos em que se usa apenas o balão de angioplastia. Quando isto acontecer o paciente pode ter um infarto ou necessitar ir para cirurgia cardíaca de emergência. Com o surgimento dos stents isto passou a ser muito raro tornando um procedimento extremamente seguro.
2°- Os Stents reduzem a incidência de Reestenose, especialmente os revestidos, também conhecidos como stents eluídos com medicação. Utilizando apenas a angioplastia com balão a reestenose variava de 35 a 45%. Com os Stents convencionais reduziu para 20% e com os revestidos é menor que 8%.
Este “stent especial” não reduz a mortalidade dos pacientes nem proporciona a cura da doença coronária, mas promove um grande impacto em reduzir a necessidade de repetir o exame para redilatar a mesma obstrução. Novo procedimento é necessário em 28% quando utilizamos apenas o balão, em 17% quando utilizamos o stent convencional e 4,7% para o stent revestido.
Uma das limitações dos Stents é o desenvolvimento da oclusão subaguda que ocorre dias a meses após a alta hospitalar. Da mesma forma que a oclusão aguda, ela resulta em infarto ou outras complicações maiores.
A disponibilidade de Stents mais modernos, a prática de uma técnica adequada no seu implante e o uso mantido da associação de medicação anti-agregante plaquetária, tornou esta complicação pouco freqüente, ocorrendo em menos de 1% dos casos.
Qual a vantagem de usar stents revestidos com medicamentos?
Poucos dias após liberar um Stent Convencional dentro de uma artéria a parede vascular reage por meio de mecanismos reparadores na tentativa de restaurar sua integridade. Esta resposta cicatricial pode torna-se tão excessiva a ponto de causar uma reobstrução maior ou igual a 50% do calibre da artéria. Isto é conhecido como reestenose e ocorre em 20 a 30% dos casos nos primeiros 06 meses. Como conseqüência, pode retornar os sintomas e/ou alterações nos exames (Teste Ergométrico, Ecoestresse e Cintilografia do Miocárdio).
Até então, a reestenose permanecia como a maior limitação da abordagem percutânea para tratamento da doença aterosclerótica coronária.
Atualmente a técnica mais eficaz na prevenção da reestenose são os stents com eluição de medicamentos (stents farmacológicos ou revestidos). Esta nova tecnologia é extremamente engenhosa e possibilita que o stent carregue na sua superfície uma fina capa contendo um medicamento denominado “agente anti-proliferativo”. Este é liberado de forma contínua e local, durante aproximadamente 30 dias, com ação eficaz em suprimir a cicatrização exagerada levando à reobstrução. Os primeiros medicamentos disponíveis para uso clínico com stents e hoje com eficácia comprovada são: sirolimus (rapamicina), paclitaxel e zotarolimus.
A primeira experiência clínica com essa nova técnica foi realizada no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia – São Paulo em 1999 pelo Dr. Eduardo de Sousa.
Pelas vantagens inequívocas dos Stents revestidos que reduziram as taxas de reestenose para níveis inferiores a 8%, eles tornar-se-ão a opção de escolha em praticamente todos os casos.
Como fico sabendo se houve reestenose?
Este é outro motivo de extrema importância para que o paciente mantenha o acompanhamento clínico com o Cardiologista do consultório que indicou a realização do procedimento.
Através dos seus sintomas e/ou dos resultados dos exames solicitados durante o acompanhamento (Teste Ergométrico, Ecocardiograma de estresse e Cintilografia Miocárdica) se fará a suspeita da Reestenose. É muito provável que um novo cateterismo cardíaco seja necessário para comprovar esta suspeita.
Geralmente a Reestenose se manifesta com o retorno da angina, mas pode não ter qualquer sintoma. Raramente causa infarto e não está relacionada com aumento de risco para óbito.
Quem são os pacientes que estão mais propensos a desenvolver a reestenose?
• Diabéticos
• Coronárias de pequeno calibre que recebeu o stent (menor de 2,5mm)
• Extensão da lesão coronária maior que 20mm, necessitando stents mais longos.
• Coronária totalmente ocluída a mais de 3 meses.
• Obstruções causadas por reestenose.
• Obstruções localizadas em enxerto de veia safena e em bifurcações de coronárias.
Por isto que, principalmente nestes casos, é fundamental o uso do stent revestido com medicação que irá reduzir em mais de 50% a possibilidade de reestenose.
Se há reestenose, o que deverá ser feito?
A conduta a ser tomada será definida baseada numa série de fatores analisados pelo seu cardiologista do consultório.
Na maioria das situações uma nova Angioplastia e Stent serão realizados da mesma maneira da anterior. Aqui é indispensável o uso do Stent revestido com drogas, que será implantado por dentro do stent já colocado previamente. Uma vez colocada um stent, este jamais será retirado do coração.
Alguns casos, apesar de considerados como reestenose, poderão ser mantidos em tratamento clínico. Isto é possível porque em algumas situações a obstrução de 50% não é suficiente para trazer conseqüências para o músculo do coração.
Raramente o tratamento da reestenose se faz com cirurgia.
Quais as vantagens da angioplastia e stent em relação à cirurgia?
• É um procedimento minimamente invasivo sem a necessidade de abrir o tórax.
• Recuperação mais rápida com menor tempo de internação.
• Não necessita de anestesia geral.
• Evita transfusão sanguínea.
• Dispensa remoção de uma veia da perna ou de uma artéria do braço para tratar as obstruções, como frequentemente é necessário na cirurgia.
Qual a vantagem da cirurgia em relação à angioplastia e stent?
Na nossa opinião, não há nenhuma vantagem e fica reservada apenas para os casos que não há possibilidade técnica em realizar o procedimento, quando encontramos obstruções difusas em coronárias de pequeno calibre e quando o paciente é submetido a risco elevado de complicações com a técnica menos invasiva.
Algumas vezes o paciente tem indicação para alguma cirurgia não cardíaca , de grande importância e que não pode ser realizada durnate o uso de duas medicações que alteram a coagulação do sangue. Neste caso é preferível a cirurgia de Ponte Safena.
Eu posso ter rejeição ao stent?
O Stent não provoca rejeição. O que pode ocorrer é a reestenose.
Quem já foi submetido ao implante de stent deverá ter algum cuidado especial com detectores de metal?
Não há necessidade de cuidados especiais e ele não é detectado nestes equipamentos.
Quem já fez o implante de stent deverá ter algum cuidado especial ao fazer uma ressonância magnética?
Não. Poderá ser realizada desde o primeiro dia de implante do stent.